CRÍTICA | Morbius: abaixo das (baixas) expectativas

Sem graça e genérico, novo spin-off de Homem-Aranha tenta se levar a sério demais, mesmo sendo bobo.
By CAJR
02/04/2022

Vamos falar a verdade, Morbius era um filme que ninguém pedia, mas – por necessidade e pressão do estúdio – aconteceu. E desde seu primeiro trailer, o longa prometeu trilhar caminhos diferentes de Venom, desde a abordagem mais séria do personagem-título, como em conexões mais fortes com o Universo Homem-Aranha da Sony. Será que a nova empreitada de Jared Leto vai vingar?

Enredo

Seguindo quase à risca a origem do personagem nos quadrinhos, o filme conta a história de Michael Morbius, que possui uma rara doença sanguínea e se vê determinado a salvar a vida de outras pessoas que passam pelos mesmos problemas que ele. O médico aposta em uma solução extrema para a doença, mas seu experimento não ocorreu como o esperado.

Com a base de um trágico filme de monstro, o diretor de Daniel Espinosa (“Vida”) tinha em mãos um produto que poderia fugir do lugar comum das produções de super-heróis, que temos aos montes. Mas tanto sua condução, quanto o roteiro de Burk Sharpless (“Deuses do Egito”) e Matt Sazama (“Perdidos no Espaço”) constroem uma trama insossa, sem alma e que usa retalhos dos quadrinhos e do MCU para construir uma história que acontece e nunca diz a que veio.

Um grande erro da Sony é querer construir um universo para os seus vilões e dar a eles uma história de origem, na qual eles são “heróis” e vão se tornar vilões no futuro. A dupla Sharpless e Sazama, não consegue criar empatia com o anti-herói Morbius. Ele é um gênio moribundo e que passa por cima de sua ética profissional em busca da cura. Fim, o espectador que goste dele com esses poucos elementos apresentados. Para piorar, o filme é uma bagunça narrativa e tem uma trama que funcionaria bem nos anos 90. As coisas vão acontecendo e acontecendo, e a impressão que temos é que a introdução nunca irá acabar, são quase 40 minutos de algo que poderia ter sido resumido em dez, bastava ter mais dinâmica e objetividade.

Espinosa é conhecido por ter feito alguns filmes de terror e suspenso, logo em Morbius vamos ver muitas cenas de gore e de tensão, certo? Não! Todos os ataques que acontecem envolvendo o vampiro são limpos e quase não tem sangue espirrando. Na única cena na qual temos alguma tensão acontece no hospital e até empolga, mas depois voltamos ao marasmo de sempre.

As cenas de ação são corretas, pena que o CGI atrapalhe um pouco o entendimento de algumas lutas no fim, mas num geral os embates são bem filmados e coreografados. O filme carece de urgência e poderia ter mais momentos de ação para compensar o texto frágil e sem graça.

No fim das contas – até por sua simplicidade – a trama é mais coerente que Venom, até por não apostar no humor, mas sua tentativa de querer ser sério demais para uma história tão sem graça, o torno tão ruim quanto o personagem simbionte.

Música e Fotografia

As cenas iniciais são as melhores no quesito fotografia, as paisagens das cachoeiras  são lindas, uma pena que são por poucos momentos. Mas no restante do filme, há aquela famosa paleta do cores azulada, para dar um tom de frieza no filme. Embora funcione, ela sua muito mais como um filtro por todo o longa, não construindo uma ambiência de suspense.

A parte realmente boa do filme fica nas mãos da trilha sonora, com músicas que conseguem trazer um pouco de vida em algumas cenas. Uma pena que os demais quesitos do longa não seguem o tom da música.

Conclusão

No fim, temos apenas um cientista imprudente, que de repente começa a se questionar sobre o que fez. Seguido por outro personagem que começa como mero financiador do projeto e que do nada se torna um entendido da ciência e vilão nas horas vagas, por fazer o mesmo que o “herói”. O mesmo peso e duas medidas? O filme aborda essa ideia?

Morbius é tão sem vida quanto um vampiro. É um produto que quer ser algo maior, mas acaba se tornando algo completamente esquecível. Ah, Jared Leto, por favor, faça uma autorreflexão sobre sua carreira.


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CAJR - Carlos Alberto Jr

Resultado de uma experiência alquímica que envolvia gibis, discos e um projetor de filmes valvulado. Jornalista do Norte que invadiu o Sudeste para fazer e escrever filmes.
  • Animes:Cowboy Bepop, Afro Samurai e Yu Yu Hakusho
  • Filmes: 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Stalker, Filhos da Esperança, Frank e Quase Famosos
  • Ouve: Os Mutantes, Rush, Sonic Youth, Kendrick Lamar, Arcade Fire e Gorillaz
  • Lê: Philip K. Dick, Octavia E. Butler, Ursula K. Le Guin e Tolkien
  • HQ: Superman como um todo, assim como as obras de Grant Morrison e da verdadeira mente criativa por quase tudo na Marvel: Jack Kirby